O mundo atual enfrenta desafios cada vez mais complexos e multifacetados, que exigem uma reflexão profunda e integrada sobre o papel do Estado. As desigualdades sociais e econômicas, por exemplo, vêm se agravando, alimentando um crescente descontentamento e ressentimento da população em relação à representação política. Ao mesmo tempo, a transformação digital tem aprofundado as assimetrias existentes e ampliado as incertezas quanto ao futuro do trabalho. Somam-se a isso a crise climática e as tensões geopolíticas, que exigem respostas coordenadas e eficazes, enquanto a governança global continua enfrentando dificuldades para lidar com tamanhos desafios.
Nas últimas décadas, o debate sobre o papel do Estado tem sido dominado por uma visão reducionista, que frequentemente o coloca como um obstáculo ao desenvolvimento socioeconômico. No entanto, é fundamental compreender as múltiplas dimensões da atuação estatal e sua estreita relação com a sociedade. Nesse contexto, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em colaboração com instituições parceiras, promoveu o evento “States of the Future” no âmbito do G20. Realizada em julho de 2024, a iniciativa reuniu uma diversidade de atores para debater soluções inovadoras que contribuam para um futuro mais inclusivo e sustentável, alinhado às prioridades estabelecidas pelo Brasil na presidência do G20: o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, o desenvolvimento sustentável e a reforma da governança global.
As relatorias a seguir trarão uma síntese dos principais temas debatidos ao longo do evento, reunindo reflexões, percepções dos participantes e propostas voltadas ao fortalecimento do papel do Estado na construção de um futuro melhor. Além disso, irão destacar a relevância da democracia, da cooperação e do diálogo, bem como da redução das desigualdades e da garantia de direitos, ressaltando ainda a importância da inovação e da participação ativa de diferentes vozes e instituições. Esse esforço coletivo de construção busca, justamente, inspirar novos caminhos a partir das experiências acumuladas no passado e no presente, com o objetivo de moldar os estados brasileiros para que sejam capazes de enfrentar os desafios do futuro.

Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)
Mesa de abertura do evento States of the Future para discutir os principais desafios do futuro a partir de uma visão do Estado, abordando a importância do poder estatal na construção de um futuro sustentável, inclusivo e democrático, diante dos desafios globais do século XXI. O evento destacou o protagonismo do Sul Global, a urgência climática e o papel estratégico do Estado na proteção social e ambiental. Também ressaltou a centralidade das políticas públicas para garantir direitos e
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Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)
A Conferência Magna abordou a necessidade de se redefinir o papel do Estado diante das crises globais e das transformações econômicas recentes. Além disso, foi discutida a urgência de políticas públicas que priorizem o social, superando a lógica financeira e de mercado. A reflexão destacou a importância de um Estado dinâmico, capaz de responder aos desafios contemporâneos. Defendeu-se, ainda, a atuação estatal como promotora de justiça social e desenvolvimento sustentável.
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Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)
O encerramento do dia destaca a importância de um Estado dinâmico para enfrentar crises globais, ressaltando a necessidade de uma visão integrada e de cooperação internacional. Defende ainda o papel central da educação e de uma coalizão global para promover soluções conjuntas.
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Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)
Fala introdutória da Ministra Esther Dweck para abrir as discussões da tarde e situar os delegados do G20 em relação ao States of the Future e à agenda de transformação estatal que permeia o evento. A relatoria abordou a necessidade de um Estado ativo e reformista para enfrentar crises globais e reduzir desigualdades. Destacou-se a importância da cooperação internacional, participação social e promoção de um desenvolvimento inclusivo e sustentável.
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Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)
A mesa aborda os sinais de mudança e as tendências emergentes dos próximos anos, considerando sua relevância e impacto sobre o futuro do desenvolvimento global. Trata-se de uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, que busca construir diferentes cenários possíveis e refletir de forma sistêmica sobre como eles influenciam as ações do presente, fortalecendo a capacidade de antecipação e adaptação diante desses desafios .
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Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)
Ao olharmos para o futuro, os Estados-nação em todo o mundo estão enfrentando uma série de desafios assustadores — desde a mudança climática até a automação e o aumento da desigualdade. Diante dessas pressões crescentes, há uma necessidade urgente de repensar o papel que os Estados podem desempenhar na modelagem de um desenvolvimento econômico que seja tanto equitativo quanto sustentável.
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
A mesa discutiu a urgência de reinventar o papel do Estado diante das crises climática, democrática, social e econômica, criticando tanto o modelo liberal quanto as limitações do Estado de bem-estar social. Destacou o papel estratégico do BNDES em liderar projetos inovadores como o Arco da Restauração da Amazônia, promovendo desenvolvimento sustentável e inclusão social, e ressaltou ainda a necessidade de cooperação global, legitimidade institucional e defesa ativa das instituições públicas contra retrocessos.
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
O diálogo buscou aproximar os debates globais do contexto brasileiro, evidenciando dilemas comuns na transição do modelo neoliberal, marcado por crises e pela necessidade de respostas estatais. Temas como migração e crise climática exigem coordenação internacional, pressionando a formulação de políticas públicas e a reinvenção das funções do Estado. O crescimento da dívida pública após a pandemia demanda soluções que combinem instrumentos políticos e técnicos, com fundos e bancos públicos desempenhando papel estratégico. Além disso, a crescente erosão
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
A renovação da política industrial enfrenta obstáculos relevantes, como o desemprego tecnológico, as fragilidades nas cadeias de suprimentos evidenciadas pela Covid-19, a urgência de adaptação diante da crise climática e as crescentes tensões geopolíticas. Diante desse cenário, surge o questionamento sobre se o retorno da política industrial ocorre por necessidade concreta ou por condições históricas, reforçando a importância de integrá-la a uma visão abrangente dentro de um projeto consistente de desenvolvimento.
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
A mesa destaca o aumento da desigualdade devido à desindustrialização, à erosão do bem-estar social, à desproteção ao trabalho, aos salários deteriorados e à ascensão de uma indústria tecnológica que não gera empregos, com novas tecnologias, especialmente na era digital e de mercado de capitais livres, contribuindo para a formação de oligarquias.
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
O Brasil tem um histórico de liderança na agenda climática, promovendo o desenvolvimento sustentável em três pilares, conforme apresentado no G20, COP e BRICS. A crise climática se agrava com a crise econômica global, criando riscos e complexidades interligadas. Minerais críticos, concentrados no Sul Global, são essenciais para a transição energética do Norte Global. Nesse sentido, entrou em questionamento o papel dos estados na garantia de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
O debate sobre a arquitetura financeira internacional, que começou nas décadas de 1970 e 1980, critica a visão dominante e busca alternativas, como a proposta original de Bretton Woods, que visava garantir estabilidade e crescimento global por meio do FMI e do Banco Mundial, com o dólar como moeda padrão. A tensão sobre a dívida e a moeda utilizada persiste. Embora a ordem de Bretton Woods tenha desaparecido, com o dólar perdendo força e novas instituições surgindo, ainda
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
A crise internacional e latino-americana abre oportunidades para desenvolvimento e inovação. O BNDES avança com iniciativas como o Novo PAC, a Nova Indústria Brasil e a Política de Transformação Ecológica, atuando como articulador do desenvolvimento nacional com foco local. A compra pública, combinada com essas iniciativas, cria condições favoráveis para o desenvolvimento nacional.
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Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)
A sobreposição de crises, como a climática e a guerra na Ucrânia, impacta as cadeias de suprimento globais, elevando preços e lucros, especialmente na alimentação, e agravando desigualdades sociais. A resposta neoliberal de austeridade fiscal, com evasão de capital e desvalorização cambial, intensifica a crise da dívida em países em desenvolvimento, ao invés de solucionar os problemas.
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Rio de Janeiro, 24 de julho de 2024 (Quarta-feira)
O desenvolvimento sustentável exige um equilíbrio entre crescimento econômico, progresso social e proteção ambiental, visando atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias. Os desafios enfrentados pelo planeta, como as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e o esgotamento de recursos, demandam ações imediatas e decisivas. Este painel aborda o papel essencial do Estado na liderança da transformação rumo a um futuro mais sustentável.
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Rio de Janeiro, 24 de julho de 2024 (Quarta-feira)
Diante de desafios globais sem precedentes, cresce a necessidade de os estados reformarem e modernizarem profundamente suas instituições, processos de formulação de políticas públicas e capacidades estatais, a fim de garantir uma governança eficaz e reduzir as desigualdades. Este painel explora maneiras de redesenhar proativamente as instituições para construir Estados resilientes e ágeis, adequados ao século XXI.
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Rio de Janeiro, 24 de julho de 2024 (Quarta-feira)
O sistema de governança global do século 20, consolidado em instituições como o Conselho de Segurança da ONU, o Banco Mundial e o FMI, tem sido alvo de críticas crescentes por não refletir a atual distribuição de poder econômico e político. À medida que a dinâmica de poder muda, este painel discute até que ponto os órgãos e as normas internacionais de tomada de decisão podem se tornar mais inclusivos, incorporando as vozes e os interesses dos países
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Rio de Janeiro, 24 de julho de 2024 (Quarta-feira)
A ausência de debate sobre o Estado no G20 motivou o evento, buscando superar polarizações e valorizar o diálogo para construir o futuro. As políticas devem priorizar o cuidado, abrangendo todas as gerações e enfrentando crises climáticas. O Estado deve atuar nos territórios, cuidando dos espaços públicos e do digital, repensando o financiamento e a governança global. A inclusão na gestão pública exige um Estado que opere com medidas em escala, capacidade e aprendizado constante.
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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024 (Quinta-feira)
À medida que a revolução digital se intensifica na economia, o Estado desempenha um papel fundamental ao fornecer visão, investimentos catalisadores e um ambiente propício. Isso inclui infraestruturas digitais e inclusão, digitalização das operações governamentais, governança de plataformas e investimentos estratégicos em setores-chave.
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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024 (Quinta-feira)
A ausência de um debate sobre o papel do Estado no G20 motivou a realização do evento. A relatoria examina o papel do Estado em áreas como política industrial, diversidade, inclusão, automação e compras públicas, destacando o BNDES como um banco voltado para a inovação e o financiamento de projetos, com ênfase na Amazônia e nas demandas sociais. A criação da LCD, liderada por Alckmin, marca uma nova fase do BNDES, focando no apoio a programas como o
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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024 (Quinta-feira)
O advento de sistemas avançados de IA capazes de automatizar o trabalho intelectual traz impactos sem precedentes nos mercados de trabalho. Esta mesa de diálogo discute o papel do Estado e examina políticas para facilitar as transições da força de trabalho.25
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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024 (Quinta-feira)
Servidores públicos atuam como empreendedores internos e inovadores sociais, desempenhando um papel essencial em tempos de crise. A inovação no setor público exige colaboração entre diferentes atores, mas a fragmentação das pautas do G20 ressalta a necessidade de um Data 20 para integrar dados. No Brasil, a inovação ainda depende da “sorte” devido à falta de coordenação, enquanto organizações sociais desenvolvem ideias que o governo não aproveita.
O empreendedorismo social enfrenta desafios de financiamento e investimento, especialmente em meio
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Rio de Janeiro, 26 de julho de 2024 (Sexta-feira)
Face a desafios globais sem precedentes, existe um imperativo crescente para que os estados reformem e modernizem as instituições, os processos de elaboração de políticas e as capacidades para uma governança eficaz. Esta mesa de diálogo irá explorar caminhos para uma reformulação institucional proativa para construir estados resilientes e ágeis adequados para o século XXI.
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Rio de Janeiro, 26 de julho de 2024 (Sexta-feira)
A questão da importância da participação social na formulação e condução da política externa brasileira vem sendo discutida há bastante tempo. A partir de 2023, foi recuperada a proposta de se instituir um Conselho Nacional de Política Externa, integrado por representantes governamentais e organizações da sociedade civil. A proposta dessa mesa de diálogo é que se aprofunde o debate sobre qual seria o modelo mais adequado para se institucionalizar e colocar em prática essa instância de participação.
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