
Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)


Nelson Barbosa (Diretor, BNDES)
O debate sobre a inflação remete à discussão estruturalista latino-americana, que a vincula ao abastecimento, dependendo da reforma agrária. O governo Lula criou dois ministérios agrícolas, um voltado para pequenos e outro para grandes produtores. A Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, no Brasil, embora incapaz de reverter a tendência inflacionária, consegue reduzir sua volatilidade.

Isabella Weber (Professora, University of Massachusetts Amherst – Online)

O mundo enfrenta emergências simultâneas, com riscos e choques nas cadeias de valor, como alimentos e crises climáticas, resultando em inflação e aumento de lucros sem elevação de custos, como exemplificado pela Pepsico. A inflação excessiva afeta a demanda, com preços de commodities diferentes dos finais, o que pode alimentar a espiral inflacionária. Esse cenário desestabiliza, favorecendo alguns sistemas e ampliando desigualdades, enquanto a decomposição da mão de obra não acompanha o aumento da inflação. A pressão sobre os preços dos bens essenciais, como alimentos, impacta mais os pobres, com a alimentação representando até 80% da inflação em países de baixa renda. O aumento da inflação, junto à crescente fome e pobreza, intensifica a insegurança alimentar. A resposta neoliberal de austeridade fiscal só agrava a desigualdade, estimulando a evasão de capital e a crise da dívida nos países em desenvolvimento, fortalecendo a extrema direita e o capitalismo nacionalista. Um novo paradigma pós-neoliberal, focado na estabilização, é necessário, abordando emergências, reservas de itens essenciais e políticas públicas adequadas.
A sobreposição de crises, como a climática e a guerra na Ucrânia, impacta as cadeias de suprimento globais, elevando preços e lucros, especialmente na alimentação, e agravando desigualdades sociais. A resposta neoliberal de austeridade fiscal, com evasão de capital e desvalorização cambial, intensifica a crise da dívida em países em desenvolvimento, ao invés de solucionar os problemas.
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Isabella Weber, Professora, University of Massachusetts Amherst – Online
Carlos Pinkusfeld, UFRJ e Centro Celso Furtado