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Abertura – Primeiro dia

Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)

Relatoria 1

Os desafios de financiamento estão no cerne dos problemas para enfrentar as crises sobrepostas e alcançar o desenvolvimento sustentável.

Dilma Rousseff (ex-Presidenta do Brasil e presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento)

A reflexão sobre o papel do Estado e o uso de tecnologias na governança torna-se ainda mais relevante diante da ascensão das economias do Sul Global — com destaque para a China — e do fortalecimento do BRICS, que desafia a hegemonia do G7 e altera os fluxos tradicionais de investimento. Nesse contexto, o debate entre Estado e mercado ressurge, especialmente à medida que economias desenvolvidas retomam políticas industriais. A predominância do dólar, somada às contradições do protecionismo e do movimento de “decoupling“, também impacta a dinâmica da globalização, revelando um Estado cada vez mais atuante por meio de estratégias industriais. No Sul Global, planos de desenvolvimento de longo prazo começam a substituir abordagens imediatistas, embora obstáculos como o protecionismo e a carência de infraestrutura continuem a dificultar o avanço da industrialização. Apesar do crescimento econômico observado em diversas regiões, persistem desafios estruturais — como as mudanças climáticas, as pandemias e as desigualdades — que exigem respostas concretas e coordenadas.

As mudanças globais são muito grandes para uma só nação: a solução deve ser multilateral.

Michelle Bachelet (ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, ex-Diretora Executiva da ONU Mulheres e ex-Presidenta do Chile)

O cenário internacional exige ação conjunta de governos, setor privado e sociedade civil para enfrentar crises humanitárias, mudanças climáticas, desigualdades e riscos de novas pandemias. Para isso, é essencial renovar o multilateralismo, fortalecendo a confiança nos estados e promovendo iniciativas como o Pacto Global para Financiamento. Revitalizar a cooperação internacional é crucial para defender a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável, com participação ativa da sociedade civil. Diante da perda de confiança nas instituições e do avanço da extrema direita, torna-se urgente fortalecer os estados, garantindo flexibilidade, financiamento adequado e uma arquitetura financeira global mais justa, capaz de viabilizar a Agenda 2030 e combater a pobreza multidimensional.

É preciso pensar o Estado enquanto uma plataforma de combate às desigualdades sociais e raciais.

Esther Dweck (Ministra, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos)

O States of the Future, realizado paralelamente ao G20 no Rio de Janeiro, promoveu uma reflexão sobre o papel do Estado no século XXI, reunindo governo, academia e sociedade civil, com destaque para o BNDES e lideranças como Dilma Rousseff e Michelle Bachelet. O futuro discutido no encontro coloca no centro a população negra – em especial as mulheres negras – e os povos indígenas, reconhecendo o Estado como ferramenta fundamental no enfrentamento das desigualdades. O debate resgatou a relevância do Estado na agenda internacional, diante das crises que exigem fortalecer capacidades estatais, especialmente nos países em desenvolvimento, e reinventar formas de atuação para responder a novos desafios. O Brasil, por meio do MGI, compartilhou suas experiências em gestão pública, valorizando servidores e servidoras e defendendo um Estado verde, inclusivo e aberto à participação social. Também foram enfatizados a importância da inclusão digital, da sustentabilidade e do protagonismo estatal na construção de uma nova governança global, com destaque para o papel do Banco do BRICS.

O Estado tem a responsabilidade de não deixar ninguém para trás.

Anielle Franco (Ministra, Ministério da Igualdade Racial)

Em celebração à Semana da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, e em homenagem a Marielle Franco, o discurso reafirma a importância da democracia e do desenvolvimento sustentável, sustentado pelo crescimento econômico e pela proteção social e ambiental. A defesa de uma vida digna para todos passa pelo enfrentamento da pobreza, do racismo e da violência, colocando as desigualdades sociais no centro do debate. A fome, as emissões de carbono e a crise climática expõem falhas estruturais que afetam, sobretudo, os mais vulneráveis. Nesse contexto, os saberes dos povos tradicionais são fundamentais para a proteção ambiental. A filosofia africana do Sankofa inspira a necessidade de aprender com o passado para construir o futuro, fortalecendo o papel do Estado no diálogo e na implementação de políticas públicas eficazes, como as dos governos Lula e Dilma. O Estado do futuro deve assumir o compromisso de combater a fome e o racismo, por meio de políticas transversais e do engajamento de todo o governo e da comunidade internacional.

O Estado para construir um novo futuro não pode ser mínimo.

Aloizio Mercadante (Presidente, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES)

O Estado precisa assumir um papel estratégico na construção de um futuro sustentável. Diante da emergência climática, cabe ao poder público adotar políticas capazes de responder com urgência aos desafios ambientais. A descarbonização da economia é fundamental, com iniciativas do BNDES para reduzir emissões e combater o desmatamento. Projetos como o Arco da Restauração na Amazônia e a Coalizão Verde são instrumentos-chave para avançar no cumprimento das metas climáticas. Também são indispensáveis a regulação do mercado de carbono, a cooperação internacional e a conscientização sobre os riscos da inação. Nesse cenário, políticas de defesa comercial tornam-se necessárias para garantir a reindustrialização e proteger os países do Sul Global, com participação ativa nos BRICS e na reorganização da economia mundial.

É excitante ver o Brasil ir além e pensar como os governos podem ser mais resilientes.

Marcos Athias Neto (Organização das Nações Unidas – ONU; Administrador Assistente, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD)

O PNUD, desde 1960, orgulha-se de sua contribuição para o desenvolvimento brasileiro, apoiando iniciativas como a criação da EMBRAER e parcerias em desenvolvimento e inclusão. O foco atual é a resiliência governamental e a transformação de serviços para um futuro mais sustentável. O Summit of the Future busca criar esperança e capacitar as futuras gerações a moldarem seus próprios destinos, impulsionando assim novas fronteiras de desenvolvimento.

Resumo da mesa

Mesa de abertura do evento States of the Future para discutir os principais desafios do futuro a partir de uma visão do Estado, abordando a importância do poder estatal na construção de um futuro sustentável, inclusivo e democrático, diante dos desafios globais do século XXI. O evento destacou o protagonismo do Sul Global, a urgência climática e o papel estratégico do Estado na proteção social e ambiental. Também ressaltou a centralidade das políticas públicas para garantir direitos e

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PARTICIPANTES

Dilma Rousseff, Ex-Presidenta do Brasil e presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento

Michelle Bachelet, Ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, ex-Diretora Executiva da ONU Mulheres e ex-Presidenta do Chile

Esther Dweck, Ministra, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

Anielle Franco, Ministra, Ministério da Igualdade Racial

Aloizio Mercadante, Presidente, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES

Marcos Athias Neto, Organização das Nações Unidas – ONU; Administrator Assistente, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD

MODERADOR/MEDIADOR

Thaís Bilenky, Jornalista