
Rio de Janeiro, 22 de julho de 2024 (Segunda-feira)


Denise Ferreira da Silva (Professora da Cadeira Samuel Rudin em Humanidades e codiretora do Critical Racial and AntiColonial Study Co-Laboratory, New York University)
A análise crítica dos conceitos de “transição profunda” e “sociedade transformativa” evidencia uma urgência de ação que antecede qualquer questionamento teórico. A formulação de políticas transformadoras exige compreender a trajetória do Estado, desde sua configuração como Estado-nação até sua projeção como Estado global, moldado por estruturas econômicas e ético-jurídicas desde os anos 1990. A transição em curso, iniciada há três décadas, levanta a dúvida sobre se o Estado continuará a privilegiar o sistema financeiro em detrimento das demandas sociais. Essa tensão entre o global e o social influencia diretamente o reconhecimento dos direitos de minorias, mas a questão central persiste: qual é, afinal, o papel do Estado na sustentação do sistema capitalista-colonial?

Mariana Mazzucato (Copresidente do Grupo de Peritos do Grupo de Trabalho do G20 para uma Mobilização Global contra as Mudanças Climáticas, professora na University College London – UCL, Diretora-Fundadora do Instituto para Inovação e Propósito Público – IIPP)

A concepção estática do Estado compromete sua capacidade de responder de forma eficaz às crises interconectadas, exigindo, portanto, sua desconstrução e adaptação contínua. A economia, resultado das relações entre Estado, sociedade civil e sindicatos, requer uma intervenção estatal que vá além da simples correção de falhas de mercado. Por isso, a formação de servidores públicos deve priorizar o dinamismo e a melhoria constante. Nesse sentido, as conferências sobre crises globais precisam concentrar-se na alocação eficiente de recursos. Alinhada a esse propósito, a presidência brasileira do G20 estabeleceu como prioridades o combate à pobreza, o desenvolvimento sustentável e a reforma da governança global. A pandemia, por sua vez, evidenciou a urgência de reinvestir lucros em saúde e inovação, enquanto a evasão fiscal reforça a necessidade de um sistema global de taxação. Assim, torna-se essencial recriar o Estado como agente dinâmico e empreendedor, superando a lógica restrita da correção de mercado. Além disso, garantir a qualidade do financiamento público é fundamental para evitar políticas de austeridade e assegurar um Estado capaz de enfrentar os desafios contemporâneos.
A Conferência Magna abordou a necessidade de se redefinir o papel do Estado diante das crises globais e das transformações econômicas recentes. Além disso, foi discutida a urgência de políticas públicas que priorizem o social, superando a lógica financeira e de mercado. A reflexão destacou a importância de um Estado dinâmico, capaz de responder aos desafios contemporâneos. Defendeu-se, ainda, a atuação estatal como promotora de justiça social e desenvolvimento sustentável.
Leia a relatoria na íntegra ←Denise Ferreira da Silva, Professora da Cadeira Samuel Rudin em Humanidades e codiretora do Critical Racial and AntiColonial Study Co-Laboratory, New York University
Mariana Mazzucato, Copresidente do Grupo de Peritos do Grupo de Trabalho do G20 para uma Mobilização Global contra as Mudanças Climáticas, professora na University College London – UCL, Diretora-Fundadora do Instituto para Inovação e Propósito Público – IIPP
Thaís Bilenky, Jornalista