
Rio de Janeiro, 23 de julho de 2024 (Terça-feira)


Fiona Tregenna (University of Johannesburg)
Os principais desafios globais envolvem crise climática, pandemias e fragilidades nas cadeias de valor, bem como a 4ª Revolução Industrial, que concentra a produção industrial em poucos países. Muitos enfrentam desindustrialização precoce devido à transformação digital, com obstáculos adicionais nos países em desenvolvimento, como ausência de nichos competitivos e capacidades estatais limitadas. Embora a política industrial tenha ganhado aceitação, ela apresenta distintas interpretações, exigindo a adaptação de lições anteriores às demandas atuais de cada país. A nova política industrial enfatiza a articulação entre atores e a cocriação com o setor privado, buscando manter a participação nas cadeias globais de valor e fortalecer a integração regional em mercados menores. Zonas e hubs industriais são relevantes, mas apresentam riscos de exploração. Já a industrialização verde enfrenta o dilema entre emissões e desenvolvimento produtivo, procurando alternativas em novas formas de produção. Nesse contexto, países em desenvolvimento lidam com debates sobre justiça e equidade na transição verde.

Giovanni Dosi (Scuola Superiore Sant’Anna)

O futuro da política industrial passa pelo reconhecimento de um mundo multipolar e pela formulação de estratégias específicas para países em desenvolvimento, com base na emulation e no leapfrogging em setores de inovação, articulando tecnologia e organização de forma complementar. O “maternar” de novas indústrias torna-se essencial, exigindo intervenções nos fluxos de comércio e capital, além de evitar a chamada “maldição dos recursos naturais”, assegurando consistência entre a política macroeconômica e os objetivos de catching up. Três desafios centrais são apontados: a concentração em conglomerados tecnológicos, a crise climática — que demanda um Green New Deal — e as ameaças epidemiológicas, que exigem um New Deal para a saúde. Embora a lógica neoliberal persista, as políticas industriais atuais mostram-se insuficientes, tornando necessária a autonomia dos governantes frente a interesses imediatistas e a atuação de um Estado que vá além da mera correção de falhas de mercado, com financiamento garantido por uma taxação adequada.
A renovação da política industrial enfrenta obstáculos relevantes, como o desemprego tecnológico, as fragilidades nas cadeias de suprimentos evidenciadas pela Covid-19, a urgência de adaptação diante da crise climática e as crescentes tensões geopolíticas. Diante desse cenário, surge o questionamento sobre se o retorno da política industrial ocorre por necessidade concreta ou por condições históricas, reforçando a importância de integrá-la a uma visão abrangente dentro de um projeto consistente de desenvolvimento.
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Giovani Dosi, Scuola Superiore Sant’Anna
Marco Aurélio Crocco, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG