
Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024 (Quinta-feira)


Giselle Sakamoto Souza Vianna (Diretora Substituta de Novas Economias, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços)
A criação da Secretaria de Economia Verde destaca a importância da inovação no setor público e social, com instrumentos como a “lista suja” do trabalho escravo, proposta por servidores, que evidenciam o sofrimento social e a necessidade de políticas públicas integradas. A Estratégia Nacional de Economia de Impacto (ENE Impacto) busca equilibrar resultados financeiros e impacto social, com participação social e integração entre setores. A estratégia ganhou força com um decreto presidencial que expande investimentos, metodologias de impacto, instituições intermediárias, regulamentação e coordenação interfederativa, com o objetivo de que todas as unidades federativas implementem iniciativas de impacto até 2032. A parceria global visa acelerar o setor por meio da cooperação e novas formas de negócios e governança. O Estado empreendedor e o papel do servidor público como empreendedor interno e inovador social são resgatados após ataques, reconhecendo a importância das alianças nacionais e internacionais e o papel crucial dos servidores públicos durante momentos de crise.

Jeroo Billimoria (Cofundadora, Catalyst 2030)

A maior rede de empreendedores sociais do mundo busca inovação e melhoria na qualidade de vida, defendendo a colaboração entre governo, academia e setor privado para criar impacto social, ultrapassando as bolhas e focando nas pessoas além de discussões macroeconômicas. O debate deve centrar-se na qualidade e dignidade de vida, indo além de modelos econômicos internacionais, e há inovadores sociais no governo que, por meio da iniciativa Global Government Innovation, catalisam ferramentas para impacto social. O estado do futuro deve colocar pessoas e planeta no centro das decisões, reconhecer o papel dos inovadores sociais em diversos setores e basear decisões de políticas públicas nas comunidades.


Juha Leppänen (Executivo-Chefe, Demos Helsinki, e cofundador do Institutional Architecture Lab)
O Brasil demonstra energia para discutir o futuro, com organizações focadas em fortalecer tecnologias para práticas comunitárias e transformar a sociedade em mais verde. Inovadores sociais, como na Finlândia, trabalham em colaboração com o poder público para criar soluções, por meio de ação coletiva e observando a institucionalização. A experimentação com a sociedade civil e a compreensão de detalhes técnicos são cruciais, exigindo humildade do governo para reconhecer problemas e construir consensos, além de empatia e accountability. Alianças no G20 e a implementação de missões na política industrial buscam métodos para ir além e criar capacidades institucionais, aprendendo sobre inovações e contextos locais.

Lorrayne Porciúncula (Cofundadora e Diretora- Executiva, The Datasphere Initiative)

Durante a discussão, ficou evidente que as pautas do G20 tendem a ser fragmentadas, o que exige um fio condutor, como o Data 20, para integrar dados de políticas e grupos de trabalho. Na inovação pública e social, é fundamental criar um Data 20 nacional, com o Brasil necessitando de uma agenda de dados coordenada, que vá além da polarização sobre a proteção de dados e envolva o setor privado e dados não pessoais, como os ambientais, utilizando o CAR como infraestrutura pública digital. Há uma reação contra o uso de dados não pessoais como commodities, o que pode levar a um “inverno de dados”, tornando a discussão mais complexa. A agenda de dados deve, portanto, estimular a inovação e o desenvolvimento inclusivo e sustentável, com regras claras, participação democrática, segurança e incentivo à inovação. Além disso, a agenda de inovação pública e social precisa ser ágil e adaptável. A regulação dos anos 1960 deve ser repensada para permitir ciclos de feedback, utilizando sandboxes para testar e ajustar políticas públicas. É essencial conectar inovadores e espaços de experimentação, criar evidências concretas e catalisar o uso de sandboxes para políticas e regulamentação. Também é necessário criar espaços que transcendam fronteiras para enfrentar desafios globais, incluindo a inteligência artificial, fazendo da experimentação e do teste práticas constantes do setor público na formulação de políticas.


Roberto Pojo (Secretário de Gestão e Inovação, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos)
A inovação no setor público é essencial para enfrentar problemas complexos, mas a desburocratização dos anos 80 e 90 não conseguiu resolver questões fundamentais como a desigualdade. O Estado precisa responder às expectativas da sociedade, que busca alternativas de governo, exigindo inovação dentro das próprias estruturas estatais. A relação entre Estado e sociedade exige uma velocidade de adaptação sem precedentes, e a Secretaria deve buscar soluções inovadoras, pois o modelo atual não tem avançado. A norma central de 1977 precisa ser revista, incorporando sandboxes para inovação coordenada, algo que, no Brasil, ainda acontece de forma pontual e sem planejamento. É fundamental criar espaços seguros para inovação, pois um Estado que não acompanha as expectativas da sociedade, mesmo resolvendo alguns problemas, se tornará incapaz de lidar com as mudanças nas demandas sociais.

Silvana Baia (Codiretora executiva, Olabi)

O Olabi busca estimular a inovação, enfatizando a importância de pesquisas que considerem raça, gênero e outros marcadores para políticas diversas e inclusivas, com foco na base da pirâmide, onde mulheres negras se encontram, e na escalabilidade para organizações pequenas. A criação de políticas inclusivas exige superar o “mais do mesmo”, explorando ideias de organizações sociais brasileiras que não são vistas pelo governo, diversificando os indicadores de impacto e fomentando a imaginação. A inovação exige um ciclo de imaginação e financiamento para criar soluções originais e impactantes.


Zarah Bruhn (Comissária para Inovação Social, Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha)
A discussão sobre inovação na Alemanha busca criar um espaço para empreendedorismo social, com o objetivo de tornar a inovação uma prioridade, contratando inovadores para o setor público e fomentando-os com um fundo de 1 milhão de euros. No nível internacional, o Brasil tem se destacado no G20 Social, com uma rede de representantes governamentais para promover a inovação social em governos e atrair empreendedores para a liderança estatal, incluindo países como Brasil, Indonésia, Espanha e nações africanas, formalizando o G20 Social. A Governance Champion Initiative facilita a troca de iniciativas e sua incorporação nos estados nacionais, exigindo trabalho tanto em nível nacional quanto internacional.
Servidores públicos atuam como empreendedores internos e inovadores sociais, desempenhando um papel essencial em tempos de crise. A inovação no setor público exige colaboração entre diferentes atores, mas a fragmentação das pautas do G20 ressalta a necessidade de um Data 20 para integrar dados. No Brasil, a inovação ainda depende da “sorte” devido à falta de coordenação, enquanto organizações sociais desenvolvem ideias que o governo não aproveita.
O empreendedorismo social enfrenta desafios de financiamento e investimento, especialmente em meio
Leia a relatoria na íntegra ←Elisa Leonel, Secretária de Coordenação e Governança de Empresas Estatais, Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos
Giselle Sakamoto Souza Vianna, Diretora Substituta de Novas Economias, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Jeroo Billimoria, Cofundadora, Catalyst 2030
Juha Leppänen, Executivo-Chefe, Demos Helsinki, e cofundador do Institutional Architecture Lab
Lorrayne Porciúncula, Cofundadora e Diretora- Executiva, The Datasphere Initiative
Roberto Pojo, Secretário de Gestão e Inovação, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
Silvana Bahia, Codiretora executiva, Olabi
Zarah Bruhn, Comissária para Inovação Social, Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha
Cilair Rodrigues de Abreu, Secretário de Serviços Compartilhados, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos