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Transformando A Educação Para Uma Educação Transformadora

Rio de Janeiro, 26 de julho de 2024 (Sexta-feira)

Relatoria 27

O aumento do PIB não é a solução, é preciso outro conceito de desenvolvimento que não existe ainda e deve refletir felicidade, bem-estar e satisfação e é a educação que levará a isso.

Cristovam Buarque (Membro do Conselho de Administração, The South Centre)

A mesa destaca a necessidade de uma visão global da educação, considerando as duas bilhões de crianças no mundo e os desafios políticos, fiscais e tecnológicos em um cenário de incerteza. A educação é vista como prioridade para políticos, eleitores e a humanidade, exigindo uma entidade global, transformação sistêmica e uso eficaz da tecnologia.

Aborda-se a contradição entre progresso e proteção ambiental, defendendo um novo conceito de desenvolvimento baseado em felicidade e bem-estar, com a educação como ferramenta central. Sob a presidência do Brasil, o G20 deve priorizar a educação, garantindo acesso de qualidade, combatendo o trabalho infantil e financiando iniciativas por meio da taxação dos super-ricos. Propõe-se um “Bolsa Família internacional” e um programa global de educação, criticando a falta de implementação do Education for All da Unesco.

A regulação das tecnologias e formação de professores/servidores é essencial.

Evânio Araújo (Secretário de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais, Ministério da Educação)

Os desafios das escolas brasileiras, especialmente no Norte e Nordeste, envolvem infraestrutura e acesso, com a desigualdade escolar influenciada pela alimentação e pelo pré-natal. Superá-los exige transformação e uso de dados para políticas eficazes, apesar das barreiras na governança de dados e dos vieses algorítmicos.

A regulação tecnológica e a formação de professores são fundamentais para preparar educadores e alunos no uso crítico da IA. Além disso, é essencial traduzir jargões técnicos para o público e fomentar a colaboração internacional para regular a IA, avaliar suas aplicações e promover um aprendizado construtivo. Inclusão e diversidade devem ser pilares da educação digital de qualidade.

O último Pisa da Europa mostra que 30% das crianças em Portugal com 15 anos têm dificuldade de leitura. É um desafio global/mundial.

Nuno Crato (Professor, Universidade de Lisboa; Exministro de Educação e Ciência de Portugal)

A economia é essencial para a distribuição de riqueza, e a inovação tecnológica tem um papel importante na educação do futuro. No entanto, a tecnologia não resolve todos os problemas, como mostram a baixa proficiência em leitura no mundo, agravada pela pandemia, e as dificuldades em Portugal.

A leitura é fundamental para entender a tecnologia, e há um déficit no aprendizado de português, matemática e inglês, disciplinas essenciais. O uso de papel, lápis e escrita à mão seguirá relevante, pois fortalece o conhecimento, enquanto o tablet é apenas uma ferramenta complementar. A tecnologia não substitui o professor, cuja presença é essencial para seu uso eficaz.

Hoje, o que tenderá a acontecer no Brasil é que as escolas de elite irão se apropriar rapidamente das tecnologias mais promissoras – qualquer que seja o marco regulatório.

Ricardo Henriques (Superintendente-Executivo, Instituto Unibanco)

O convidado faz quatro provocações sobre o futuro da educação. A primeira amplia a noção de interseccionalidade, incluindo o digital como fator de desigualdade e alertando para a perda de sentido em um mundo acelerado, sem letramento digital. A segunda defende um Estado regulador que equilibre desigualdades e liberdades na educação, com estratégias para apoiar alunos em risco.

A terceira critica a estratificação das desigualdades, onde escolas de elite se apropriam de tecnologias enquanto o setor público estagna, e destaca a importância da curadoria de habilidades dos professores. A quarta enfatiza o professor como agente de transformação, capaz de redefinir trajetórias com o apoio da tecnologia, exigindo uma compreensão mais profunda dos ciclos de aprendizagem e do ensino crítico.

A inclusão é um desafio para o avanço da IA. Mas sem um celular, computador e acesso a Internet, esta pessoa está isolada socialmente.

Sônia Guimarães (Professora, Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA)

A inclusão é um dos desafios para o avanço da IA, já que a exclusão digital amplia a desigualdade social. É fundamental considerar gênero, raça e deficiência para evitar a cisão entre especialistas e a maioria da população, especialmente no Brasil, onde 56% das pessoas são negras.

Democratizar o acesso à internet e às tecnologias exige financiamento, como a taxação de super-ricos, para garantir um futuro inclusivo nas escolas. A IA pode ser uma ferramenta de transformação, mas requer capacitação de professores. Embora 58% das escolas brasileiras tenham internet, 94% ainda não a utilizam para fins educacionais.

Resumo da mesa

A rápida mudança tecnológica, a transição para uma economia baseada no conhecimento e os efeitos intensificados da globalização estão a remodelar radicalmente as exigências impostas aos sistemas educativos e o papel dos estados na sua formação.

Leia a relatoria na íntegra ←

COORDENADORA

Betânia Lemos, Presidenta, Escola Nacional de Administração Pública – Enap

PARTICIPANTES

Cristovam Buarque, Membro do Conselho de Administração, The South Centre

Evânio Antônio de Araújo Júnior, Secretário de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais, Ministério da Educação

Nuno Crato, Professor, Universidade de Lisboa; Exministro de Educação e Ciência de Portugal

Ricardo Henriques, Superintendente-Executivo, Instituto Unibanco

Sônia Guimarães, Professora, Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA

MODERADORA/MEDIADORA

Gecilda Esteves Silva, Diretora-Geral Adjunta, Arquivo Nacional, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos