
Rio de Janeiro, 26 de julho de 2024 (Sexta-feira)


Adriano Massuda (Secretário de Atenção Especializada, Ministério da Saúde Jonas Brant, Professor, UnB)
A inclusão da saúde no G20 é essencial, e o Brasil contribui com a experiência do SUS, um sistema universal e integral fundamentado na Reforma Sanitária e na Constituição de 1988, que garante a saúde como um direito.
Apesar dos avanços, o SUS enfrenta desafios como a descentralização em um país de dimensões continentais e a persistência de desigualdades, especialmente na atenção especializada. A pandemia da Covid-19 agravou essas fragilidades, evidenciando a necessidade de reformular o modelo macroeconômico da saúde, onde o gasto privado ainda predomina, apesar do aumento do investimento público.

Jonas Brant (UnB)

Os aprendizados da pandemia estão sendo rapidamente esquecidos, e o SUS tende a melhorar quando a classe média o utiliza, seja por influência, seja pela qualidade percebida. A formação de sanitaristas é insuficiente, afetando a produção de dados de vigilância e a atuação comunitária, enquanto a Covid-19 evidenciou a necessidade de inteligência em saúde e salas de situação nas unidades.
Os sistemas de informação, como o SINAN, são inadequados, demandando softwares livres e maior participação das universidades públicas. Planos de contingência genéricos dificultam a resposta a doenças como a dengue, tornando essencial valorizar profissionais locais e integrar prevenção e promoção em saúde, seguindo os conceitos de “Saúde em Todas as Políticas” e “Uma Saúde”. A sustentabilidade financeira segue um desafio, apesar do potencial de economia com ações preventivas.


Marcia Castro (Professora de Demografia, Escola de Saúde Pública da Harvard University)
O fortalecimento da Atenção Primária em Saúde (APS) é fundamental para a prevenção e para enfrentar o envelhecimento populacional e questões maternas. A Estratégia Saúde da Família (ESF) e a formação médica precisam ser repensadas, enquanto o telecuidado pode ampliar o atendimento, com custos da APS variando conforme o território.
A vigilância em saúde, especialmente epidemiológica e genômica, é essencial para políticas baseadas em evidências e para respostas eficazes a emergências, exigindo integração de bases de dados e abordagem da saúde como intervenção. Além disso, a saúde deve estar presente nos planos de adaptação às mudanças climáticas, como secas na Amazônia e epidemias de dengue, promovendo a cooperação entre ministérios e sociedade civil para otimizar recursos. O uso da IA na ciência de dados deve ser adotado com cautela, considerando as desigualdades existentes.

Alex Roswell (OPAS/Brasil)

A transformação digital, a cobertura universal e a segurança em saúde são essenciais para sistemas resilientes, garantindo atendimento igualitário e resposta a desafios como envelhecimento e emergências. A saúde universal, com foco na Atenção Primária (APS), é fundamental para a equidade, exigindo sistemas ágeis e atuação em diversas frentes.
A pandemia evidenciou a falta de acesso universal, um risco para futuras emergências. O SUS se destaca na América Latina, onde o acesso ainda depende do pagamento, afetando 45% da população. As mudanças climáticas agravam essa realidade, impactando vulneráveis e aumentando a exposição da região a eventos extremos. O objetivo é garantir acesso universal à saúde, superando barreiras institucionais, econômicas e culturais por meio da APS, redes integradas e tecnologia.
A transformação digital é essencial para monitoramento, pesquisa e diagnóstico, tornando os sistemas de saúde mais responsivos a crises. O financiamento público é indispensável para atingir esses objetivos, reforçando que, em emergências, ninguém está seguro até que todos estejam.


Emanuele Sapienza (Líder global – Esfera pública aberta e inclusiva, PNUD)
A relatoria destaca a necessidade de sistemas de saúde inclusivos, apontando o progresso lento nos ODS e a persistência de desigualdades, apesar do reconhecimento global da importância da saúde; defende o investimento na APS e estratégias abrangentes, além da saúde digital, com atenção especial à governança; ressalta as lições da Covid-19 sobre mecanismos flexíveis e combate à desinformação; e aponta para a importância da confiança no governo para o financiamento e a transformação da saúde pública.
A pandemia da Covid-19 revelou as vulnerabilidades das infraestruturas globais de saúde pública face aos choques sistêmicos. No entanto, espera-se que as ameaças se intensifiquem com as alterações climáticas, a urbanização e o aumento da mobilidade transfronteiriça. Esta mesa de diálogo irá explorar a forma como os países devem reformar e fortalecer os sistemas de saúde pública para proteger suas populações.
Leia a relatoria na íntegra ←Rafael Almeida, Gerente de Projeto, Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos
Adriano Massuda, Secretário de Atenção Especializada, Ministério da Saúde Jonas Brant, Professor, UnB
Jonas Brant, UnB
Marcia de Castro, Professora de Demografia, Escola de Saúde Pública da Harvard University
Alex Roswell, OPAS/Brasil
Emanuele Sapienza, Líder global – Esfera pública aberta e inclusiva, PNUD
Lena Peres, Conselheira da Administração da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH